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A.I. (calma, isso não dói...!)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

iiBuenas!!

Tarde, não?!

Mas antes tarde do que nunca!!

Vamos falar da tal AI!

Nada que venha doer sua mente ou seu coração (relax).

A Arquitetura da Informação (A.I. ou I.A., do inglês Information Architecture) tem início em meados de 70 e este termo foi criado por Richard Saul Wurman em 1976 com a tentativa de combater a ansiedade da informação. Em 1994 surgiu a primeira empresa que empregou os conceitos de AI. Esta empresa (Argus) foi criada por Louis Rosenfeld e Peter Morville na era da ‘bolha especulativa da internet’. Ambos são bibliotecários, profissionais da informação capacitados para organizar conteúdos, mediando informação X usuário, para que esta seja muito bem elaborada e traga como produto final a geração do conhecimento, o que tornou um grande facilitador para que fosse pensada a organização da informação na web.

No Brasil ainda estamos iniciando o que chamamos de Arquitetura da Informação, uma atuação bastante importante, visto que há grande necessidade em organizar conteúdos da web disponibilizando a informação nos seus mais diferentes formatos, no presente século que tem milhões de dados informacionais onde muitas vezes empresas deixam de ter lucros ou instituições deixam de ter seu capital intelectual valorizado. É aí que entra o Arquiteto da Informação: um profissional que faz a intermediação homem-máquina e realiza a comunicação na web (que não é um modelo linear – comunicação de muitos para muitos) através de interatividade/colaboração.

AI é a soma de: ARTE + CIÊNCIA (teoria) + TECNOLOGIA (aplicação)

Sobre o que é AI: Tornar o complexo claro. WURMAN (1997)

A ‘missão’ do Arquiteto da Informação é ‘transformar as redes sociais em redes de conhecimento’ (criar conhecimento), fazendo a ligação entre o planejamento e a criação. O conhecimento só é gerado se a informação for conceituada através do mapa conceitual de cada indivíduo em sua maneira de compreender, para que esta aprendizagem seja significativa de acordo com seus conhecimentos prévios sobre aquele assunto especificamente tratado como bem sabemos que a experiência do usuário em relação à aprendizagem é afetiva, jamais devendo ser sobrecarregada sua cognição em um ambiente de interface. Quando há a aprendizagem significativa, todo o conhecimento novo adquirido torna-se o conhecimento prévio para o próximo processo cognitivo que seguir, isso faz com que haja diferenciação progressiva e reconciliação integradora do conhecimento. Neste processo de criação do conhecimento (no caso dos projetos de AI) é necessário conhecer as ‘regras de negócio’ da empresa onde se está aplicando os processos para que o conhecimento seja conduzido no ambiente através do prévio estudo do contexto, conteúdo e cenário de uso. O trabalho do arquiteto da informação sempre é baseado em modelos teóricos e variáveis concretas para a criação das interfaces.

Para que o Arquiteto da Informação realize seu trabalho como o ‘mediador’ entre as variadas áreas atuantes em um único projeto, uma de suas atribuições é a ‘diplomacia’, já que este é o único profissional que permanece em um projeto do início ao fim. Ele utiliza como principal ferramenta para execução de suas habilidades os mapas de informação (matrizes organizadas por fatores agregadores da informação, documentos em forma de planilhas, onde a informação é organizada e classificada para que se tenha a idéia de uma possível estratégia de navegação). As matrizes estão ligadas ao planejamento estratégico (objetivos do projeto), é o escopo gerador, o documento que transita entre o contratante e o contratado. É a ID do projeto e fundamental para a inovação (solução de uma necessidade coletiva).

(Continua...)

Mais sobre o artigo em: http://www.lr2p.blogspot.com/

Boa leitura

O boom de redes sociais na internet

sábado, 23 de janeiro de 2010

O blog ReadWriteWeb, escrito por amantes das novas tecnologias, publicou um post bastante intrigante e que nos faz repensar se devemos – ou se temos tempo para isso – participar de todas as redes sociais que surgem mundo virtual afora. Se a blogueira Sarah Perez disse em sua língua nativa que “real people don’t have time for social media”, eu diria em minha língua materna: gente de verdade não tem tempo para participar de tudo o quanto é rede social na internet que aparece por aí.

De fato, e isso parece já ter sido percebido pela sociedade, a cibercultura modificou as estruturas sociais. O indivíduo agora é convidado a se conectar a seus pares em redes sociais na internet e, a partir desse envolvimento e da participação no ciberespaço, novas formas de relacionamento surgem: acesso livre à informação, desenvolvimento de uma inteligência coletiva, comunidades de prática e uma interação humano-computador. Mas dá para participar de todas as redes sociais?

Vejamos meu caso: estou com perfil ativo no Orkut, no Twitter e no Cultura Digital. Nesses espaços, troco informações, faço upload e download de arquivos, comento, dou minha opinião e interajo (até onde me permitem). Já no Via6, no LinkedIn, no My Space, no O livreiro, não dou muito mais as caras.

Quando ainda consigo me lembrar das senhas, passo por lá para dar uma navegada. Se não conseguir lembrar a senha, é que estou dedicado a outros afazeres (conversando pelo MSN com alguém, talvez) e não tive tempo para solicitar nova senha, efetuar a atualização e ainda me logar. Isso sem contar que possuo quatro contas de e-mail e todas elas recebem milhares de spams. Resumo da ópera (ao som de Carmina Burana): gasto mais de 45 para dar conta de ler e-mails, responder a mensagens, deletar mensagens indesejadas, compartilhar algo novo e...

Se acima não citei os convites que ainda recuso, como o de participar do Hi5, do Sonico e do Facebook, é porque sou gente de verdade. Não dou conta de me relacionar em todas essas redes sociais. Preciso ir à praia num sábado lindo de primavera, curtir um barzinho com os amigos no revitalizado e badaladíssimo bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, ler um livro que comprei na livraria, ver minha novela preferida e, diariamente, ler o jornal que chega embaixo de minha porta por volta das cinco da manhã.

De qualquer forma, não estou dispensando o que as novas tecnologias de informação e comunicação estão nos proporcionando. Quero somente que entendam o seguinte: não consigo viver somente embrenhado em redes virtuais.

FONTE: http://www.nosdacomunicacao.com/panorama_interna_col.asp?panorama=278&tipo=C

Artigo escrito por Marcio Gonçalves - jornalista, doutorando em ciência da informação pela UFRJ/IBICT, com especialização em pesquisa de mercado e opinião pública e mestrado em ciência da informação. É professor universitário, autor do livro ‘Comunicação pra quê?’ e pesquisador da área de comunicação corporativa e comunicação e novas tecnologias. É o responsável pelo conteúdo do blog Comunicação Empresarial (http://marcio-comunicacaoempresarial. blogspot.com).

Tudo conectado

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Artistas, psicólogos, cientistas e outras cabeças acesas apontam para onde a web nos levará

Sérgio Augusto - O Estado de S.Paulo  (domingo, 17 de janeiro de 2010, 01:13)

Bem-vindo a mais um fórum internacional da Edge Foundation. Para quem perdeu os anteriores, um rápido memorex: anualmente o empresário cultural high tech John Brockman, mentor da Edge Foundation, formula uma pergunta, via internet, a uma vasta rede de cientistas, intelectuais e artistas, e divulga as respostas que ao seu The World Question Center chegam entre novembro e dezembro. "Qual a invenção mais importante dos últimos 2 mil anos?" "O que você acredita ser verdade, mas não tem como provar?" "O que mudou sua cabeça nos últimos tempos?", "Que inventos ou ideias científicas poderiam mudar tudo a nossa volta"- perguntou Brockman nos últimos quatro anos.

No fórum deste ano, uma questão atualíssima: "A internet está mudando seu modo de pensar?"

O psicólogo Steven Pinker, autor de Como a Mente Funciona, disse que não. Concordaram com ele, entre outros céticos, o biólogo evolucionista Mark Pagel, o escritor Tom McCarthy e o cientista cognitivo Donald Hoffman. Para Pinker, a internet só mexeu, de fato, com seu modo de organização material: pastas de arquivos, cartas, documentos, substituídos por softwares. Pagel reforça sua tese de que ainda somos o que milhões de anos de seleção natural forjaram lembrando alguns de seus amigos alheios ao mundo virtual, que, não obstante, pensam do mesmo jeito que nós, internautas. Hoffman também duvida que a internet, com apenas duas décadas de vida, possa alterar o que a evolução da espécie levou milênios para moldar.

Ainda é cedo para dizer, responderam o professor de telecomunicações interativas Clay Shirky, a física Lisa Randall, o historiador James O"Donnell e, com outras palavras ("Ainda precisamos descobrir o preço da onisciência"), o já citado Donald Hoffman. "A internet é ótima para pessoas desorganizadas como eu", acrescentou Randall, outrora apegada a anotações e recortes de jornais e revistas, que sempre receava perder, e às vezes perdia. "Meus dedos agora fazem parte do meu cérebro", salientou O"Donnell, eximindo-se de especular sobre as consequências cognitivas dessa incorporação.

O músico e agitador sociocultural Brian Eno, apesar de admirar a internet e estar sempre conectado, acredita que o celular tenha afetado mais o cotidiano das pessoas (o dele, certamente afetou) que a internet.

Nenhum ludita foi consultado; ainda bem, seria perda de tempo. Tecnólatras, vários se manifestaram, alguns com o húbris costumeiro, prevendo o fim de quase tudo, uma tabula rasa de todo e qualquer artefato impresso. O ex-editor da revista New Scientist Alun Anderson reservou para os jornalistas o mesmo destino que tiveram os limpadores de chaminé e, para o livro, a mesma sorte dos códices e papiros. Em sua bola de cristal, o livro aparece apenas como um verbete. Da Wikipedia, claro.

Herético, a rigor, apenas um: o músico (e pioneiro da realidade virtual) Jaron Lanier, que há tempos declarou guerra às inanidades e beligerância predominantes na web 2.0. Detalhes sobre sua apostasia em You Are not a Gadget: A Manifesto. Que Alun Anderson não nos ouça (leia ou veja): trata-se de um livro, recém-editado nos Estados Unidos que está dando muito o que falar (e ler).

Abrindo os trabalhos, Brockman, como não podia deixar de ser, puxa o cursor para sua barra de tarefas, definindo a internet como "a nova e radical epistemologia que desmonta nossa habitual maneira de pensar", desafia nossas antigas certezas e estimula o compartilhamento de saberes e o surgimento de um "consciente coletivo". A maioria dos consultados concorda. Uns com justificável entusiasmo, outros com um grão de sal e uma fieira de caveats.

O biólogo evolucionista Richard Dawkins tem a internet na conta de "uma das maiores realizações da espécie humana", mas desconfia da precisão das informações veiculadas na rede e receia que navegar por ela seja viciante e, muitas vezes, uma "prodigiosa perda de tempo" por encorajar o hábito de borboletear de tópico em tópico, em vez de explorar uma coisa de cada vez.

FALTA AQUELA EPIFANIA

"Penso mais rápido atualmente", admitiu o jornalista alemão Adrian Kreye. "O Twitter agilizou meu trabalho", prosseguiu, "mas a internet não afetou minha maneira de pensar. Ainda não senti uma epifania diante do monitor. Minha vida e minhas ideias sempre foram afetadas por pessoas, lugares e experiências não virtuais - e assim continuam".

Outros jornalistas, mesmo reconhecendo, implícita ou explicitamente, a inegável importância da web e das redes sociais na luta pela liberdade em regimes autoritários, no socorro às vítimas de tragédias naturais, como no terremoto do Haiti, e até no registro de ações criminosas, exageraram nos grãos de sal. John Markoff, do New York Times, confessou-se pessimista com o estado atual da internet. "Virou um reflexo das misérias do mundo", um ambiente dominado por russos, ucranianos, nigerianos e outros traficantes de vírus e spams e ladrões de senhas.

O diretor de teatro Richard Foreman compara a internet à maçã do Gênese, o fruto proibido do saber. Já a mordeu, ressalta, mas tem certeza de que não viverá o bastante para descobrir se ela, afinal, nos levará ao paraíso ou ao inferno. Ao que tudo indica, a consultora da Apple Linda Stone já se descobriu no inferno: "A internet roubou meu corpo, que hoje é uma forma sem vida curvada diante de um monitor", abriu-se no fórum. O pior é que nem trocando seu Mac por um PC as coisas deverão melhorar para o lado dela.

Os depoimentos entusiásticos a favor da internet e seus prodígios dão a tônica ao fórum, ele próprio um prodígio da web 2.0. Marissa Mayer, pesquisadora da Google, disse ter aumentado seu poder de decisão e aprendido a usar o tempo de forma mais eficiente, navegando na infovia. O psicólogo de Harvard Stephen M. Kosslyn ficou "mais esperto" e fez da internet a sua memória e do navegador, uma extensão do seu corpo. "Minhas sinapses melhoraram bastante, o raciocínio digital aprimorou-as", revelou Stewart Brand, cofundador da Global Business Network.

O veterano cineasta de vanguarda Jonas Mekas passou a produzir imagens sem se preocupar com os problemas habituais de distribuição. Há seis anos põe tudo na web; sua obra tem sido muito mais vista do que quando filmava em película ou gravava em vídeo.

Hans Ulrich Obrist, curador de galerias de arte em Londres, orgulha-se de ter passado a pensar mais em termos de "ambos/e" do que "e/ou" e "nem/não". Coinventor da plataforma Facebook, Dave Morin jura que a internet o ensinou a definir melhor, evoluir e crescer. "Ela é social, um modo de vida, contextualiza e traz felicidade", acrescentou, fazendo coro com o depoimento do crítico de informática Howard Rheingold, para quem a vida online nada tem de solitária. "Quando marco ou baixo um site, um vídeo, uma imagem, minha escolha torna-se visível a outros, e vice-versa."

No mesmo tom, o físico e cientista de computação W. Daniel Hillis teorizou: "Se o tema do Iluminismo foi a independência, o da internet é a interdependência. Estamos todos conectados, humanos e máquinas. Chegamos à era do enredamento". Graças a esse enredamento, ficamos menos egocêntricos, mais generosos, mais altruístas, acredita o biólogo Seirian Sumner, que descrê de mudanças em nossa maneira de raciocinar, mas não em nosso modo de agir. Aliás, se não fosse a internet, ele não teria descoberto a existência de mais 17 Serians residindo na América.

Brian Eno concorda com o incentivo da internet à generosidade e ao altruísmo, mas se queixa de um efeito colateral: "Fiquei mais impulsivo". Já apoiou algumas causas e assinou manifestos sem checar direito a procedência de suas reivindicações. De somenos, se comparada às queixas do analista de mídia Douglas Rushkoff, que acusa a internet de haver piorado seu caráter: "Virei um ressentido, um reacionário". E de pavio curto.

O neurocientista Brian Knutson suspeita que a internet acabe impondo um novo darwinismo, um novo tipo de seleção natural, não dos mais fortes, mas dos mais atentos, dos que possuem maior poder de concentração e filtragem de dados. O futurismo dark de Knutson se casa à perfeição com o neomarxismo digital do russo Evgeny Morozov, autor da expressão ciberlumpenproletariado, na qual enquadra todos aqueles engolfados pelo tufão dos sites de fofocas, dos videogames idiotizantes, dos blogs populistas e xenófobos e das redes sociais dominadas por bullies e cretinos.

A dificuldade do diagnóstico

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Por Carlos Nepomuceno.

Leio, leio e leio.

Ouço, ouço e ouço.

E quanto mais o faço, mais considero que nosso diagnóstico com relação à internet ainda é muito precário.

Dois exemplos?

A matéria com os assessores de comunicação das grandes empresas, intitulada ‘Sem fronteiras’, e a da ‘Business Week’, que saiu no ‘Valor’, no dia 13.

Fala-se, mas não se sabe exatamente por onde e para onde estamos caminhando.

Abaixo, alguns pontos fundamentais para você refletir antes de sair por aí com mirabolantes projetos estratégicos.

1- A internet traz para a sociedade um novo ambiente de troca de conhecimento humano.
Ela inaugura um novo ciclo de nossa caminhada no planeta redondo.

2- A tecnologia da internet, portanto, por sua natureza, altera a forma do controle da informação anterior.
     Isso não ocorre sempre, muito raramente, e tem largas consequências na sociedade.
     Antes, os canais (rádio, tevês e jornais) eram restritos, caros e fechados, limitados a um determinado grupo que se estabeleceu no poder e fez desses canais espaços para manter seus interesses.
     Com a internet, abriram-se novas portas, nas quais novas ideias de novos atores passam a circular. Ou seja, apesar de ser impulsionada por uma tecnologia, a sociedade começa a mudar de forma ampla, em função de uma nova forma de troca de ideias, que vai exigir um novo modelo de controle daqueles que desejam estar no poder e ver seus interesses garantidos.
     Sob esse cenário, em função dos diferentes canais e da capacidade de difusão das notícias, o atual nível de descentralização impede mais e mais que modelos de controle anteriores continuem a funcionar no curto, mais radicalmente no médio, e de forma impraticável no longo prazo.
     - Antes, se trabalhava com o controle da escassez.
     - Hoje, lida-se com o descontrole da abundância.
     - Antes, se impunha, de certa forma, a informação pela imposição dos poucos canais.
     - Hoje, deve-se trabalhar com a adesão das pessoas na multiplicação infinita dos inúmeros canais.
     Estamos, assim, diante de uma ruptura radical da forma de controle informacional da sociedade.

3- Por consequência, trata-se de uma mudança nos moldes do poder.
     (Não, não temos teorias sobre esse fenômeno, pois são tão raros e tão pouco estudados, que têm uma dimensão tamanha e uma nulidade teórica absurda.).
     Para podermos ter a dimensão de seus próximos passos, precisamos olhar na história um momento em que esse fato tenha ocorrido de forma similar.
     No momento, identificamos com razoável bibliografia a chegada do livro impresso, no qual autores de todo o tipo, apoiados por uma nova classe de editores empreendedores (similar ao que ocorre hoje na internet), passaram a espalhar novas ideias pela sociedade e romperam com o modelo de controle anterior.
     As estruturas hierarquizadas da Igreja e da Monarquia começaram a viver momentos de radical transformação, pois seus poderes estavam justamente estruturados no controle da informação do livro manuscrito, do qual tinham a capacidade de publicar, evitar que chegassem ao conjunto da sociedade, e podiam, assim, manipular e distorcer a realidade conforme seus interesses.
     Além de, rapidamente, administrar com facilidade grandes crises.
     Assim, mudanças nas formas do controle da informação, muito raras na sociedade, quando ocorrem, são desestruturantes de modelos de poder em todos os níveis.
     Trata-se de mudança na base de troca de ideias humanas, e o que parecia ‘normal’ e ‘natural’ passa a ser questionado com novos tipos de ideias, agrupamentos, mobilizações.
     Assim, não podemos olhar a internet apenas como uma ‘nova mídia’ ou como uma ‘nova forma de comunicação’,
     Sim, ela é, como foi o rádio e a tevê, por exemplo.
     Mas traz em si, por suas características de baixo custo e independência das pontas, um novo ambiente informacional, sobre o qual o poder estabelecido no modelo de comunicação anterior não tem controle nos antigos modelos.
     É preciso compreender o novo tipo de ambiente se quiser dominar o novo planeta com relativa chance de sucesso.
     É preciso jogar um novo jogo.

4- E é disso que se trata projetos de Empresa 2.0, Governo 2.0, Escolas 2.0. Procurar uma nova forma de estar no mundo, compatível com o novo ambiente, que permita A, B ou C continuar a manter o controle de produzir, governar, ensinar, etc..
     Assim, para efeito de diagnóstico, não devemos pensar em nos inserir em uma nova mídia ou em uma nova forma de comunicação, mas pensar que estamos entrando em um mundo novo, no qual novas regras sociais, hoje ainda incipientes, vão reger novas instituições.
     Meu diagnóstico, portanto, é esse.
     Se não concorda, conteste-o, debata-o, mas é em torno da avaliação do tamanho dessa mudança que está o futuro de muitas organizações.
     É preciso sair do piloto automático, estudar esse novo mundo de forma profunda e apontar para mudanças estratégicas de longo prazo, caso queira realmente se inserir nesse novo contexto.
     E não achar que pode ou não pode entrar nas redes sociais, como se fosse uma escolha.
     Ou que agora estamos lá dentro e começando a entender o processo.
     Como se pudesse ser entendido sem a compreensão de que o que muda é a própria organização e não uma nova política de comunicação ou marketing!!!!
     Essa é a forma mais barata e eficaz de se chegar lá: aprofundando a ruptura e começando a traçar as mudanças necessárias na base da gestão da organização para a mudança no novo mundo 2.0!
     A tentativa e o erro não só são incertos, mas muito caros diante da ruptura dessa proporção!
     As ações e questões que devemos, assim, nos propor são:

     Como será essa nossa nova sociedade então?
     E como eu e minha organização vamos nos ajustar a ela, de tal forma a jogar o novo jogo do poder?
     Tendo, assim, o novo ambiente de comunicação como apenas um canal para anunciar e compartilhar essa mudança com seus atores de fato, e não de mentira.
     Todo o resto que foge dessa lógica, a meu ver, trata-se de um diagnóstico errado, com consequências danosas e pífios resultados.
     É aplicar remédios que só vão piorar mais e mais a febre que nos assola!
     Que dizes?


Artigo publicado no blog ‘Nepôsts – Rascunhos Compartilhados’.
Carlos Nepomuceno é jornalista, pesquisador, consultor e professor da UFRJ, da Facha e do Senac.




Você é Pop? E Digital??

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sob o império pop-digital

Por Italo Moriconi.

Estamos vivendo o impacto da revolução pop-digital. O pop trouxe as estruturas de hipervisibilização e a própria visibilização como valores positivos, alterando até mesmo as relações entre privacidade e publicidade nas vidas das pessoas, ou seja, na moral dominante. Hoje, qualquer pessoa acaba passando por algum tipo de experiência de celebridade – estão aí os 15 minutos de fama para cada um profetizados pelo artista americano Andy Warhol há mais de 40 anos, em pleno alvorecer da revolução. Transcorrido todo esse tempo, já não se pode mais falar de exibicionismo e narcisismo como patologias: exibir-se se tornou um valor normativo ou no mínimo rentável, como verificamos, por exemplo, nos reality shows. Ninguém reclama de ter sido captado por uma câmera de vigilância que está onde está para revelar quem cometeu algum tipo de infração. A visibilização nos constitui e nos protege. Mais do que nunca, a vida imita a arte e, para muitos, a arte de viver hoje implica inventar a si próprio, transformar a si próprio na direção que o sonho de cada um indica como desejável.

A revolução pop corresponde à etapa tecnológica da transmissão televisual do entretenimento e da informação. Os ídolos do Olimpo do espetáculo moldam nossos comportamentos, neles nos espelhamos, a eles nos reportamos para nos definirmos. Quanto à revolução digital: nela estamos assim que entramos na nova etapa tecnológica pós-televisual da transmissão pela web. Tudo que era massificado nas eras do cinema e da televisão torna-se mais e mais capilarizado e segmentado na era da comunicação pela internet. A cultura, na verdade, se torna sinônimo de comunicação. Não existe cultura fora dos circuitos da comunicação. É nas estruturas e nos fluxos midiáticos e digitais desses circuitos que acontece e opera o cultural, a começar pelos jogos das identidades pessoais, grupais, sociais. Ocorre uma inversão. Se no mundo da televisão e do espetáculo pop o entretenimento predomina, afetando a informação e o conhecimento, agora, quem assume o lugar principal do cenário é a informação, que molda e afeta o entretenimento. Antes de ser um dado de entretenimento, o vídeo musical postado no YouTube é um dado de informação.

A revolução digital traz uma profunda transformação antropológica na escrita, a mais arcaica das tecnologias vigentes na comunicação humana. Filósofos como Walter Benjamin e poetas como Paul Valéry já tinham apontado nos anos 30 do século passado que rádio e cinema acarretavam uma transformação física da espécie humana, modificando a estrutura de funcionamento dos sentidos e da sensibilidade. Com a revolução digital, a transformação se dá no nível da principal ferramenta de ligação entre sensibilidade e comunicação. Ao incidir sobre a escrita, altera a infraestrutura material das relações entre as pessoas, das relações entre pessoas e coisas e entre pessoas e informação.

Podemos destacar três aspectos decisivos na transformação sofrida pela cultura escrita com a era digital. Em primeiro lugar, a acessibilidade no nível da produção: por meio dos blogs e das mais diversas ferramentas disponíveis na web, qualquer pessoa pode postar mensagens, publicar livros, em suma, comunicar-se e buscar um público ou um mercado. Em segundo lugar, o hipertexto, como forma infinitamente aberta e proliferante de links e mais links, altera completamente a formação e a recepção dos sentidos da leitura, assim como a própria atividade da leitura e da compreensão de mensagens e informações. Finalmente, a disseminação, no sentido de desierarquização e pulverização das referências. Já não há mais cânones ou modelos fixos para se aprender uma disciplina, um campo de saber ou atividade. A desierarquização significa que, na web, todas as informações chegam do mesmo jeito e, muitas vezes, o menos importante ou o falho tem um layout superior ao de páginas que realmente veiculam conteúdo coerente e comprovado.

O problema é como discriminar informações e como repercutir aquilo que merece ser repercutido. Esse é o grande papel que ainda cabe à cultura impressa. Ela seleciona, organiza, hierarquiza e repercute aquilo que existe de maneira aleatória e proliferante na web. Tanto na política como na literatura e nas artes, existe um fluxo infinito de informação e visibilização na web. Mas ainda são os jornais e a crítica especializada que indicam balizas de interpretação mais estáveis. São guias de orientação para que naveguemos com segurança pela galáxia de luzes e telas que é a internet.

Italo Moriconi é escritor e professor do Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Atualmente, dirige a Editora EdUerj.


São Paulo: a cidade mais digital da América Latina

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Um estudo divulgado no dia 27 de outubro analisa as cidades mais digitais da América Latina.

Foi divulgado um estudo feito pela Motorola e Convergencia Research que analisou o nível de digitalização de 150 cidades em 15 países, levando em conta a infra-estrutura, serviços, redução da desigualdade digital e o emprego de tecnologias de informação e comunicação.

A cidade de São Paulo conta com o 1o lugar do ranking e se destacou principalmente nos aspectos ligados ao Governo Eletrônico.

Leia a notícia na íntegra aqui.

Publicado em: 11/16/2009 10:05 AM

Fonte: Folha de São Paulo - Informática